A sensação de peso ou cansaço nas pernas é, para muitos portugueses, uma companhia quase diária, embora nem sempre se saiba que tem nome: doença venosa crónica (DVC).

Os números confirmam que esta é uma das condições mais comuns em Portugal. Mais de dois milhões de portuguesas convivem com esta condição, sendo a prevalência particularmente elevada a partir dos 30 anos. Mas, ao contrário do que muitas vezes se pensa, esta não é uma questão exclusivamente feminina: 40% dos doentes com doença venosa crónica são homens.

Porque afeta mais as mulheres, mas não só

A explicação para a maior prevalência feminina está relacionada com fatores hormonais, o uso de contracetivos orais e a gravidez, que aumentam a pressão sobre o sistema venoso. Já nos homens, o diagnóstico tende a ser mais tardio: por darem menos importância aos sinais estéticos, por terem mais pelos nas pernas (o que pode disfarçar as primeiras varizes) e por recorrerem menos, e mais tarde, a ajuda médica. Isto pode explicar, em parte, porque é que o problema é tantas vezes associado apenas às mulheres, quando afeta uma parcela significativa dos homens.

Uma doença desvalorizada

Apesar de tão comum, a DVC costuma ser interpretada como uma questão puramente estética, ou como algo “normal” associado ao envelhecimento. Esta perceção contribui para o atraso no diagnóstico e no tratamento, permitindo que a doença avance sem controlo, silenciosamente, até surgirem sinais mais visíveis, como varizes, edema ou alterações na pele.

O impacto vai além do desconforto físico. A DVC está associada a um número significativo de dias de trabalho perdidos e mesmo a reformas antecipadas, o que revela como esta condição, sendo tão frequente, ainda está longe de ser tratada com a atenção que merece.

O que isto significa no dia a dia

Se sente as pernas pesadas ao final do dia, um ligeiro inchaço nos tornozelos ou desconforto que se repete, estes não são sinais para ignorar, seja homem ou mulher. Podem ser os primeiros indícios de doença venosa crónica, uma condição que, quando identificada a tempo, tem tratamento e pode ser controlada.

Fale com o seu médico ou farmacêutico caso reconheça estes sintomas, para uma avaliação adequada.

Fontes: Porque devemos falar de Doença Venosa Crónica? – Observador
Doença venosa crónica: o seu impacto na qualidade de vida dos doentes portugueses | Live-Med

Share